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Usar Tecnologia Confiável - Visão Geral do Modelo Toyota (9)

“A sociedade chegou a um ponto em que se pode apertar um botão e ser imediatamente coberto por informações técnicas e administrativas. Isso é muito conveniente, é claro, mas, se não tomarmos cuidado, há o perigo de perdermos a capacidade de pensar. Devemos lembrar que, no fim, é o ser humano quem tem que resolver os problemas.” Eiji Toyoda, 1983.

Seguimos com a explanação do PROCESSO o segundo dos 4 P’s do Modelo Toyota (“Philosophy, Process, People & Partners and Problem Solving”), que tem como pressuposto:

Uma imagem contendo interior

Descrição gerada com alta confiança“O Processo Correto Produzirá os Resultados Corretos”

São sete os princípios que derivam do PROCESSO, sendo que os seis primeiros já foram temas de matérias publicadas (Fluxo de Processo Contínuo, Sistema Puxado, Heijunka, Parar e Resolver Problemas, Trabalho Padronizado e Controle Visual). O sétimo princípio, “Usar Tecnologia Confiável”, foco deste artigo tem como objetivo:

“O uso da TECNOLOGIA com AGREGAÇÃO DE VALOR para apoiar as PESSOAS e os PROCESSOS apropriados”

Ao contrário da crença popular, você sabia que o uso da Internet para a procura de um emprego é o pior modo possível? (What Color Is Your Parachute – Bolles 2003).

A grande maioria (mais de 95%) acaba encontrando emprego por outros meios que não a Internet. O mesmo se passa com os empregadores que encontram mais de 90% dos empregados procurados por outras vias.

O meio mais efetivo de encontrar emprego ainda é a busca através da reativação de contatos (“networking”) e/ou contato através de listagem de empresas de interesse.

Ou seja, o contato pessoal faz muita diferença. Mas nada contra a tecnologia, a questão é como utilizá-la.

A Toyota demonstra uma certa tendência de ficar atrás de seus concorrentes na AQUISIÇÃO de todos os tipos de novas tecnologias. Aqui vale a ressalvar a diferença entre AQUISIÇÃO e USO.

A Toyota teve experiencias negativas com vários tipos de tecnologias quanto a apoiar pessoas e processos na agregação de valor, e foram abandonadas e substituídas por processos manuais mais simples.

Se por um lado a Toyota não é uma referência na AQUISIÇÃO de tecnologia, por outro, destaca-se no USO de tecnologia com AGREGAÇÃO DE VALOR no apoio a pessoas e processos apropriados.

Avaliações exaustivas de uma nova tecnologia são realizadas para checar a efetiva agregação de valor para as pessoas e processos e eventuais conflitos com as filosofias e princípios operacionais da Toyota, como a valorização da pessoa antes da tecnologia, uso de consenso na tomada de decisões e foco operacional na eliminação de desperdícios.

Se aprovada a nova tecnologia tem que ser altamente intuitiva e visual, e idealmente ser utilizada no “Gemba” para evitar entrada de dados remoto (num escritório, p.ex.). A implementação é rápida e sem conflitos diferentemente do que acontece em outras empresas.

Uma pergunta muito comum nos projetos de melhoria contínua (Kaizen) é se não há espaço para a Tecnologia de informação na Toyota. A resposta é que mesmo numa empresa enxuta haverá espaço para a Tecnologia de Informação, desde que ela seja uma ferramenta para apoiar pessoas e processos.

Muitas empresas investem milhões de dólares em informatização da gestão de estoques. Estoque no conceito lean, constitui um dos 7 desperdícios, o que deveria assinalar que a verdadeira meta seria operar com um mínimo de estoque controlado por sistemas / mecanismos simples, visuais e intuitivos. A aplicação adequada dos princípios do “JIT – Just In Time”, que podemos resumir em uma frase como: Fluxo puxado de uma peça ou de um “kit” de peças sob o ritmo do tempo Takt, poderá contribuir para a redução drástica de estoques.

“A Toyota não faz sistemas de informação, faz carros.”

Sob esta afirmação, qualquer projeto de sistema de tecnologia de informação deverá mostrar de forma clara e concisa, como irá auxiliar / apoiar as pessoas e processos na fabricação de carros.

Ainda que um dos paradigmas do mundo logístico seja que nada se movimenta sem informação, a Toyota é bem conservadora na aplicação da automação. Primeiro elabore o processo manual e depois automatize. Agregue o máximo de flexibilidade ao sistema para permitir a melhoria contínua conforme a empresa for mudando. E não se esqueça de complementar as informações do sistema com o “Genchi Gembutsu”, que significa, “veja por si mesmo”.

A Toyota continua a aperfeiçoar seu processo de desenvolvimento de produtos usando soluções de “software” muito específicas e passou de 48 meses para menos de 12 meses para desenvolver um novo veículo.

A Toyota emprega sabiamente o ciclo “PDCA – Plan, Do, Check, Act”, ao passo que muitas empresas apenas usam o “p” e o “d” (sim, minúsculos, pois o fazem muito mal feitos) e consideram encerrado o ciclo, tendo depois que efetuar inúmeros retrabalhos com atrasos no cronograma e provocando um aumento importante de custos.

Outro fator que alavanca a performance operacional e financeira da Toyota é a sua filosofia de visão a longo prazo, ainda que em detrimento de resultados a curto prazo.

Na Toyota, a aprovação de investimentos que têm um perfil de longo prazo no retorno sobre o investimento, causam espanto nos concorrentes, que normalmente estipulam metas desafiadoras de curto prazo para o ROI.

Acontece que a Toyota avalia principalmente o grau de contribuição do investimento no apoio a pessoas e processos, e mesmo num perfil mais alongado do ROI, aprovam e imediatamente partem para a implementação, usufruindo das vantagens enquanto os concorrentes continuam tentando enquadrar os investimentos no ROI estabelecido, seguindo em frente com os problemas operacionais.

Definitivamente a Toyota é apaixonada pelos resultados e não pelas ferramentas!

Convidamos você a seguir esta matéria (“O Modelo Toyota”) através dos próximos “blogs”.

Agradeceríamos receber os seus comentários através do e-mail wcbm@wcbmconsulting.com para melhorar futuras publicações.

Forte abraço e até breve!

Washington Kusabara – Sócio Diretor

12/03/2018